Falação

uma dia desses, ao assistir um programa entrevista na TV, ficou claro que atualmente  fala-se muito, sempre de algo ou de si mesmo.

o óbvio ululante.

na universidade também fala-se muito, seriamente, sempre sobre alguma coisa.

pouco se fala com, não há conversa. as pessoas funcionam paralelamente e raramente se encontram… quando há encontro, há susto, espanto, mal-estar e às vezes encantamento.

é quase ofensivo ter uma conversa, especialmente se for em público.

quando duas pessoas querem conversar elas preferem ficar sozinhas.

essa forma de funcionar torna difícil o entendimento do que acontece numa análise onde há uma relação em que se fala com…

com quem? com quem está falando.

‘na sua prática, Lacan não se enganava de interlocutor’ [M. Saphouan]

p.s. : o encaminhamento lacaniano da questão fica comprometido ainda pela formulação de uma relação triádica que inclui sujeito e objeto; depois falo da radicalização disso na obra de MD Magno onde se coloca a idéia de transa, transa entre formações.


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